
Ancelotti é hoje o nome mais comentado no Brasil. Mas muito antes dos títulos da Champions League e do comando da seleção canarinho, havia um menino chamado Carletto crescendo em Reggiolo, uma cidadezinha de pouco mais de 8.500 habitantes no norte da Itália. Quem quiser entender o homem por trás do treinador precisa conhecer o lugar onde ele nasceu. E o viajante descobrirá, no caminho, um destino turístico de rara beleza e autenticidade.
Reggiolo: pequena no mapa, enorme na história
Reggiolo fica na região da Emília-Romanha, na província de Reggio Emilia, a cerca de 32 km da capital regional. Não há táxi, ônibus de linha nem metrô. A bicicleta é o transporte mais comum, e as ruas de pedra contam histórias que remontam ao século XI.
A cidade foi mencionada pela primeira vez em documentos históricos no ano de 1044, ligada à família Canossa — os mesmos senhores feudais que deram nome à famosa Matilde de Canossa, uma das mulheres mais poderosas da Idade Média europeia. Ela morreu em 1115, justamente no território de Reggiolo, em uma localidade chamada Bondeno di Roncore.
Depois dos Canossa, a cidade passou pelos Bonaccolsi, pelos Gonzaga e, mais tarde, pelos Bourbons — cada dinastia deixando sua marca na arquitetura, na cultura e no DNA da região.

O que visitar em Reggiolo
A Rocca medieval: o símbolo da cidade
O monumento mais imponente de Reggiolo é, sem dúvida, a Rocca — uma fortaleza medieval construída na primeira metade do século XII pelo Município de Reggio Emilia como defesa contra os ataques de Mântua.
A partir de 1242, a estrutura foi remodelada no estilo clássico dos castelos medievais fechados. Tem planta quadrada, quatro torres nos cantos e duas torres salientes no lado sul. A grande torre central, o chamado mastio, recebeu contribuições do arquiteto florentino Luca Fancelli durante a restauração de 1470.
A Rocca sobreviveu ao devastador terremoto de 2012 que atingiu a Emília-Romanha — com danos, mas permaneceu de pé. Um símbolo de resiliência que, curiosamente, tem muito em comum com o próprio Ancelotti.
Palazzo Sartoretti e o Teatro Giovanni Rinaldi
Na Piazza Martiri, o Palazzo Sartoretti impressiona pela elegância. Originalmente construído no século XVI, foi reformado em 1765 pela família que lhe dá nome. Em 1979, a última herdeira doou o palácio ao município. Hoje é um espaço de cultura e memória.
Ao lado do palazzo está o Teatro Giovanni Rinaldi, considerado um dos primeiros teatros históricos da Itália. A programação cultural mantém viva a tradição artística da cidade ao longo de todo o ano.
Igrejas e arte sacra
A Igreja de Santa Maria Assunta e a Igreja de San Rocco são exemplos notáveis da arquitetura religiosa típica da Emília-Romanha. As fachadas sóbrias escondem interiores ricos em detalhes e espiritualidade.
Para quem aprecia arte, a Pinacoteca Antonio Ruggiero Giorgi reúne obras que refletem a sensibilidade artística regional ao longo dos séculos.
Museu da vida rural
Um dos espaços mais singulares de Reggiolo é o Museu da Vida Rural. Ali, o visitante entende como era a vida no campo do Vale do Pó — exatamente o mundo em que o jovem Carlo Ancelotti cresceu, ajudando o pai na produção de queijo parmesão e no cuidado com o gado.
A infância de Ancelotti: do campo para o mundo
Carlo Ancelotti nasceu em Reggiolo no dia 10 de junho de 1959. Filho de um produtor rural, passou a infância e a adolescência acordando cedo para levar o leite das vacas e produzir o famoso Parmigiano Reggiano — um dos queijos mais valorizados do mundo.
Em suas próprias palavras, o treinador já declarou:
“Aquele período moldou meu caráter. Minha família trabalhava na terra, eram agricultores. Nós fazíamos queijo parmesão. Eu ainda sei fazer queijo até hoje.”
Essa origem simples e trabalhadora ajuda a explicar a serenidade e a consistência que marcam o estilo de Ancelotti como gestor de pessoas, dentro e fora de campo.
Antes de se tornar um dos maiores técnicos da história do futebol, ele jogou pelo Parma, pela Roma e pelo Milan. E tudo começou nas categorias de base do próprio Reggiolo, seu time de coração da infância.
A gastronomia de Reggiolo: uma viagem para o paladar
Visitar Reggiolo sem provar sua culinária seria um erro imperdoável. A cidade fica no coração da chamada Food Valley italiana, uma das regiões gastronômicas mais ricas do planeta.
Os destaques culinários incluem:
- Parmigiano Reggiano (queijo parmesão): produzido há séculos na região, com sabor e textura inconfundíveis.
- Cappelletti e tagliatelle: massas frescas artesanais que são parte inseparável da identidade local.
- Prosciutto di Parma: o famoso presunto cru da região, que chega à mesa com leveza e complexidade de sabor.
- Lambrusco: vinho tinto levemente frisante, típico da Emília-Romanha, perfeito para acompanhar os pratos locais.
A culinária da região não é apenas alimentação. É patrimônio cultural vivo, transmitido de geração em geração — como a sobrancelha levantada de Ancelotti diante de uma jogada inesperada.

Como chegar e quando visitar Reggiolo
Reggiolo não possui aeroporto próprio. Os pontos de chegada mais práticos são:
- Aeroporto de Bolonha (Guglielmo Marconi): a cerca de 70 km de distância, com ampla oferta de voos internacionais.
- Aeroporto de Milão (Malpensa ou Linate): a aproximadamente 150 km, com conexões de trem ou carro até a cidade.
- De carro, a rota pela A22 (Autostrada del Brennero) é a mais usada, com saída em Reggiolo-Rolo.
A melhor época para visitar é entre abril e outubro, quando o clima da Emília-Romanha é mais ameno e os eventos culturais locais estão em plena atividade. O mês de junho tem um charme especial: afinal, é o mês de aniversário de Ancelotti.
Reggiolo no contexto da Emília-Romanha
A região da Emília-Romanha é, por si só, um dos destinos mais completos da Itália. Quem visita Reggiolo pode facilmente combinar o roteiro com outras cidades próximas:
- Reggio Emilia: capital da província, com museus modernos e história renascentista.
- Parma: gastronomia, ópera e o legado de Verdi.
- Módena: Ferrari, balsâmico e a Cathedral inscrita na Unesco.
- Mântua: joia maneirista às margens do Mincio, a poucos quilômetros de Reggiolo.
- Bolonha: a Bologna la Dotta, a Grassa e la Rossa — universidade mais antiga do mundo, culinária irresistível e arquitetura medieval de tirar o fôlego.
Reggiolo funciona como ponto de partida ideal para explorar tudo isso com autenticidade e sem a superlotação dos grandes centros turísticos.
FAQ — Perguntas frequentes sobre Reggiolo e Ancelotti
Onde fica Reggiolo?
Reggiolo fica na região da Emília-Romanha, na Itália, na província de Reggio Emilia. Está a aproximadamente 32 km da capital da província e a 70 km de Bolonha.
Carlo Ancelotti ainda tem ligação com Reggiolo?
Sim. Ancelotti sempre declarou orgulho por suas origens em Reggiolo. A cidade o considera seu cidadão mais ilustre, e ele próprio menciona a infância no campo como um período formador de seu caráter.
Quanto tempo é necessário para visitar Reggiolo?
Um dia é suficiente para conhecer os principais pontos da cidade. Para aproveitar melhor a gastronomia e os arredores, recomenda-se estender a visita para dois ou três dias na região.
Reggiolo tem boas opções de hospedagem?
Por ser uma cidade pequena, a oferta de hotéis é limitada. O ideal é se hospedar em Reggio Emilia ou Mântua e fazer excursões a Reggiolo. Pousadas rurais (agriturismo) nos arredores oferecem uma experiência mais autêntica.
Qual é o prato típico que não posso deixar de experimentar em Reggiolo?
O Parmigiano Reggiano fresco, acompanhado de um bom Lambrusco local, é a experiência gastronômica mais representativa da cidade. Os cappelletti in brodo (cappelletti no caldo) são outra iguaria obrigatória.
É possível fazer um tour pela cidade relacionado a Ancelotti?
Ainda não existe um tour oficial temático, mas moradores locais conhecem bem a história da família Ancelotti. Guias regionais de Reggio Emilia oferecem roteiros pela área que incluem paradas em Reggiolo.
Conclusão: Reggiolo vale cada quilômetro
Reggiolo é a prova de que os menores lugares guardam as histórias mais ricas. Uma cidade medieval, autêntica, sem pressa e sem glamour artificiais — exatamente o tipo de destino que quem viaja de verdade busca.
Seja pela fortaleza do século XII, pela gastronomia incomparável da Emília-Romanha ou pela curiosidade de pisar no chão onde cresceu Carlo Ancelotti, a visita a Reggiolo recompensa com experiências que dificilmente se encontram nos roteiros convencionais.
Se você planeja uma viagem à Itália, coloque Reggiolo no mapa. Você vai descobrir que, em alguns lugares, a grandeza vem embrulhada em tamanho pequeno.
Comece agora a planejar seu roteiro pela Emília-Romanha e inclua Reggiolo na lista. Pesquise voos para Bolonha, explore as opções de agriturismo na região e prepare o paladar. A Itália mais autêntica está esperando por você.
Leia também:
Sobre o Autor

0 Comentários